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Produtividade

Segredos sobre as Culturas da Netflix, do LinkedIn e do Spotify

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Se quiser saber mais sobre uma empresa, inclusive a sua, um ponto de partida essencial é o documento chamado "culture deck", que explica a cultura da empresa. Investigações de Etan Smallman

 

Embora os mecanismos internos da cultura de uma empresa costumassem ser um segredo guardado a sete chaves, atualmente as empresas publicam documentos de 100 páginas (os "culture decks") expondo cada aspecto dos princípios fundamentais de suas operações.

Isso é especialmente interessante porque, de acordo com um estudo de 2016 realizado pela Deloitte, quase três quartos dos executivos dizem não entender suas próprias culturas. Segundo as palavras de Bretton Putter, eles "não estão aproveitando a única vantagem competitiva sobre a qual têm total controle".

Bretton é um dos maiores especialistas em cultura de startups e empresas com crescimento elevado, e foi sócio-gerente de uma empresa internacional de pesquisa executiva por 16 anos. Essa experiência o levou à conclusão de que o principal fator que gerava as contratações mais bem-sucedidas era se a empresa havia definido e compreendido direito sua cultura.

Em seu novo livro, Culture Decks Decoded, ele afirma que a apresentação sobre cultura, uma série de slides ou um manual que decodifica a missão, a visão e os valores de uma empresa, é a arma secreta mais importante para as empresas de hoje. "Se os CEOs não entendem ou não investem em sua cultura, ela pode se tornar uma desvantagem, e não uma vantagem," alerta.

Retrato de Bretton Putter

Bretton Putter

"Uma boa apresentação fornece explicações detalhadas sobre o funcionamento da empresa," acrescenta. "Ela diferencia a empresa de seus concorrentes, dizendo como uma empresa lida com opiniões, aprendizado e desenvolvimento, transparência, diversidade e inclusão. Basicamente, é um documento que explica o que a empresa espera de seus funcionários e o que os funcionários podem esperar da empresa. Uma boa apresentação de cultura é uma ferramenta que atrai os candidatos certos e ajuda os candidatos errados a saírem por si próprios do processo de entrevistas."

Aqui, Bretton revela os segredos fundamentais de cinco dos principais culture decks do setor.

1. Netflix

A Netflix produziu o culture deck original, que a diretora de operações do Facebook, Sheryl Sandberg, considerou o documento provavelmente mais importante criado no Vale do Silício. As principais mensagens são sobre equilíbrio, liberdade e responsabilidade: na Netflix, você é livre para fazer o que precisa, da forma que tiver de ser feito, desde que você entregue os resultados. 

A empresa faz contratações, desenvolvimentos e demissões de forma inteligente, descrevendo-se como uma equipe esportiva profissional, e isso significa que, se você não mantiver o nível adequado, será colocado no banco. E, se isso não funcionar, você irá embora.

A Netflix foi uma das primeiras a falar sobre os "babacas brilhantes" , funcionários que podem ser geniais, mas que acabam prejudicando uma equipe, e como sua presença não será tolerada.

A empresa é honesta sobre o pagamento do preço máximo do mercado aos funcionários. A apresentação afirma que o objetivo da empresa é oferecer a cada funcionário o nível salarial máximo pela sua função, e que aconselha os funcionários a serem entrevistados regularmente por outras empresas, para entenderem qual é o preço do mercado.

O documento é muito simples – textos escritos em preto, com um fundo branco – mas é incrivelmente detalhado. Ele foi visto on-line 18 milhões de vezes desde que o cofundador e CEO Reed Hastings o publicou no SlideShare em 2009. Isso significa que muitas pessoas conhecem a cultura da Netflix, e não apenas o que ela oferece aos clientes.

Logotipo da Netflix em um iPad

2. LinkedIn

O Culture Deck do LinkedIn é colorido e dinâmico, com muitas imagens, principalmente de pessoas. Os valores da empresa são detalhados e incluem: assumir "riscos inteligentes", agir "como o dono da empresa", "nossos membros em primeiro lugar", "relacionamentos são importantes" e "estar aberto, ser honesto e produtivo". A empresa "exige excelência" de todos. "Definimos padrões elevados e esperamos superá-los," afirma a apresentação.

A apresentação é boa para definir as expectativas dos funcionários e explicar como as pessoas vão se desenvolver e aprimorar. Ela usa uma imagem de seu CEO, Jeff Weiner, segurando um cartaz em que está escrito "Talento é nossa prioridade operacional nº 1", e fala sobre a importância do talento, do aprendizado e da diversidade.

A apresentação do LinkedIn também apresenta imagens de seus funcionários fazendo esportes e atividades para o bem-estar pessoal, declarando que a saúde dos trabalhadores é fundamental para sua missão.

Logotipo do LinkedIn em um iPad

3. Etsy

A apresentação da Etsy afirma que a cultura não é somente um aspecto do jogo – é o jogo em si. Ela acrescenta que uma cultura sólida pode superar quase qualquer má decisão, mas uma cultura deficiente não pode ser salva pelo melhor técnico ou pelo melhor tomador de decisões.

A empresa entende que cultura não é só algo importante dentro da empresa, mas, na verdade, é o que atrai as pessoas para a empresa , para além do salário e dos desafios de cada função. A maioria das pessoas decide entrar em uma empresa com base na interpretação que fazem de sua cultura. Elas também reconhecem que a cultura é uma atividade contínua e orgânica.

O Culture Deck da Etsy foi criado para sua equipe, mas também mostra estar ciente de sua relevância externa. A apresentação fala sobre suas equipes como mediadoras de seus clientes, ajudando-os a ganharem dinheiro e realizarem suas paixões e hobbies on-line.

Logotipo da Etsy em um iPad

4. Spotify

Como esperado, o Culture Deck do Spotify é estrondoso e colorido. Ele começa dizendo que toda empresa tem uma cultura, acreditando nisso ou não. E cultura começa quando os fundadores se juntam e começam a resolver um problema.

"Se a visão indica para onde estamos indo, a cultura é o que nos dá a certeza de que poderemos chegar lá," diz a apresentação. Mas a empresa acrescenta que "uma boa cultura não é a mesma coisa que uma boa empresa… ainda é necessário ter uma visão, um produto e clientes".

Ao contrário de muitas outras empresas, o Spotify também se concentra em como reconhecer se a cultura está funcionando. A empresa sugere que a cultura não está funcionando quando muitas pessoas param de se importar, e isso é particularmente visível quando bons profissionais são desvalorizados e começam a desistir. Geralmente, isso acontece quando os funcionários dedicam tempo a tudo o que não seja criar e entregar resultados. Eles têm de lidar com muitas situações internas, reorganizar e renovar o sistema, em vez de se concentrarem nos clientes.

Logotipo do Spotify em um iPad

5. HubSpot

O HubSpot tem um dos maiores documentos e, certamente, um dos mais planejados. O documento declara: “Não apenas nos importamos com nossa cultura, somos obcecados por ela”. A Cultura ajuda a atrair profissionais extraordinários, além de ampliar suas capacidades e ajudá-los a trabalhar melhor, diz a apresentação.

O documento aborda detalhadamente a importância da "missão" e das "métricas". A missão faz com que a empresa "ganhe o apreço de seus clientes" e ajude as pequenas e médias empresas a crescerem. Além disso, a empresa tem um compromisso com as métricas, pois elas ajudam a empresa a entender como gerar recursos para promover sua missão.

O destaque da apresentação é sua transparência. Quando o documento foi escrito, a Hubspot contava com mais de 1.500 funcionários, e a empresa compartilhou com todos suas finanças e as apresentações das reuniões de diretoria e gerenciamento, além dos documentos estratégicos.

Quando a empresa abriu seu capital, em 2014, uma das regras para a Oferta Pública Inicial (IPO) era a de que as informações só poderiam ser compartilhadas com um grupo seleto de membros privilegiados que estivessem em determinado nível. O HubSpot não gostou da ideia, e acabou investindo o dinheiro para fazer com que cada funcionário estivesse no nível de privilegiado. 

O HubSpot tem a mesma política, de apenas quatro palavras, para quase tudo: "Use o bom senso". Seja em relação às redes sociais, políticas de viagens, políticas de férias, ou de falta por doença, basta usar o bom senso.

Logotipo do Hubspot em um iPad


Etan Smallman é um jornalista britânico cujo trabalho foi publicado em jornais como The Guardian, The Times, The Daily Telegraph e The South China Morning Post

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